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Fina veta maiôs de recordistas, mas pode liberá-los antes do Mundial

De: http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/05/19/e19057890.asp
Date: 21-05-2009

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Nos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, surgiu a primeira versão dos supertrajes que, dizia-se, faziam diferença para os nadadores na competição. Significava o ganho de milésimos no tempo. A sucessão de tecnologia multiplicou-se desde então. Ano passado, em Pequim, 25 recordes mundiais foram batidos por atletas que usaram um modelo desenvolvido com ajuda da Nasa, a agência espacial americana. Passados nove meses, o traje que virou febre na capital chinesa tornou-se quase obsoleto. Novos supermaiôs, feitos por empresas concorrentes, impulsionaram feitos nesta temporada. Pela primeira vez, as marcas dos 50m e dos 100m livre baixaram da casa dos 21s e dos 47s. Nadadores que, antes, tinham desempenho mediano chegaram ao topo. A polêmica – que envolve disputa entre fabricantes de material esportivo e suspeitas de favorecimento, nas piscinas, a quem usa os trajes – teve um ponto decisivo nesta terça-feira: a Federação Internacional de Natação (Fina) vetou 146 de 348 maiôs analisados, entre eles, os dois mais utilizados neste momento: o Jaked e o X-Glide. Doze recordes mundiais, batidos por nadadores que competiam com trajes agora reprovados, estão na berlinda. Segundo a Fina, podem ser anulados. A decisão sairá em 2 de julho.

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Entre os ameaçados de perder a marca está o brasileiro Felipe França, que nadou os 50m peito, há duas semanas, no tempo de 26s86, o melhor da história. Na ocasião, no Troféu Maria Lenk, na Barra, ele usou o modelo Jaked, vetado nesta terça. Na competição, César Cielo vestiu o X-Glide e alcançou o terceiro tempo do ano nos 50m livre (21s33) e o quarto nos 100m livre (47s60). Cielo e o francês Alain Bernard, recordista mundial dos 100m livre (46s94), foram escolhidos pelo fabricante do maiô para testar e desenvolver o produto. Dos 146 supermaiôs vetados, 136 ainda poderão ser homologados pela Fina. Seus fabricantes terão um mês para fazer correções e submeter suas peças a nova análise. Dez foram proibidos definitivamente. Após o anúncio da Fina, a entidade que comanda a natação na França, país em que dois nadadores bateram recordes com supertrajes (Bernard e Frédérick Bousquet nos 50m livre), divulgou que seus atletas serão impedidos de usar os maiôs até a reunião da Fina de 2 de julho, às vésperas do Mundial de Roma. Se os trajes forem liberados, os atletas poderão usá-los no Mundial.

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No Brasil, 33 recordes com maiô No Troféu Maria Lenk, foram registrados um recorde mundial (de Felipe França) e 42 marcas sul-americanas e brasileiras. Do total, 33 foram obtidos por nadadores com o Jaked, que custa cerca de R$ 1.500. Os maiôs tecnológicos, quando surgiram, melhorariam, em teoria, o posicionamento do corpo na água. Também reduziriam o efeito do atrito. Os críticos da última geração dos trajes dizem que a maior quantidade de poliuretano dos uniformes de agora melhora a flutuabilidade dos atletas. Na prática, significa ganho de performance nas provas. As regras não estavam muito claras. A Fina está fazendo bem em analisar os maiôs e estabelecer regulamentações para não deixar muito solto, tanto para atletas, patrocinadores e fabricantes. Isso facilita para deixar um pouco mais organizado – avalia o ex-nadador Gustavo Borges. – Não acho que as marcas serão anuladas, porque vai ser difícil provar, do ponto de vista jurídico, que o atleta estava usando aquele equipamento reprovado no dia em que ele bateu o recorde. Para Borges, os tempos baixaram não apenas por causa do maiô. É uma combinação de fatores. Influenciam também as análises biomecânicas, os treinos. Os recordes vão cair com ou sem esses maiôs que foram vetados. Pelo que ouvi falar, eles influenciam na flutuabilidade, no posicionamento do corpo, e diminuem o atrito, o que ajuda principalmente no peito e no borboleta.

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OS RECORDES MUNDIAIS AINDA NÃO APROVADOS Frédérick Bousquet (FRA): 50m livre - 20s94 Alain Bernard (FRA): 100m livre - 46s94 Ryosuke Irie (JAP): 200m costas - 1min52s86 Cameron van der Burgh (AFS): 50m peito - 27s06 Felipe França (BRA): 50m peito - 26s86 Rafael Muñoz (ESP): 50m borboleta - 22s43 Marleen Veldhuis (HOL): 50m livre - 23s96 Federica Pellegrini (ITA): 200m livre - 1min54s47 Joanne Jackson (GBR): 400m livre - 4min00s66 Yulia Efimova (RUS): 50m peito - 30s05 Anastasia Zueva (RUS): 50m costas - 27s47 Marleen Veldhuis (HOL): 50m borboleta - 25s33